sábado, 18 de julho de 2009

Sono profundo

Era quarta-feira às 18h04min. O funcionário público de meia idade deixava a repartição com um só desejo: Sumir dali. Estava cansado depois de um dia estafante de trabalho. Pegou o seu Gol ano 1999 para se juntar à imensidão de carros que formavam filas e filas nas avenidas da grande cidade. Não conseguia nem se irritar com o engarrafamento infernal, estava estático, esperando a hora de chegar em casa na esperança de ter alguma coisa que lá o reconfortasse. Longos 40 minutos se passaram até chegar em casa. Ele não tinha forças nem para subir as escadas do prédio. Abriu a porta do seu apartamento e, entre pilhas de arquivos e processos, só conseguia ver o sofá.
Era um convite irrecusável para relaxar e esquecer todos os problemas. O terno e a mala ficaram pelo chão. Ele precisava se deitar, precisava mais que ninguém de um descanso. Naquela hora não havia fome, não havia vontade de tomar um banho, não havia vontade de sair, nada o impediria de deitar e jogar tudo pro alto. Deitou-se e ligou a televisão por seguinte, como se fosse um ritual rotineiro. Segundos depois, ele dormiu. Dormia como se estivesse descobrindo esse prazer pela primeira vez. Ressonava alto e forte, o barulho se misturava com o noticiário da TV e os ruídos provenientes da rua que passavam pela janela completamente aberta. Outro barulho se somou ao conjunto, o telefone tocava. Nem sinal do homem acordar. Nem um movimento sequer, apenas roncos e mais roncos. O mundo poderia desabar ao seu lado, mas ele só conseguia dormir. Era um sono profundo.

2 comentários:

  1. eu to assim
    o mundo poderia desabar e eu só ia dormir u.u"
    e tomar remédio pra dor de cabeça u.U"

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